Toxina botulínica: além do controle das rugas

Dra. Bárbara Magalhães apresenta novidades sobre os diferentes usos da toxina botulínica diretamente do congresso da EADV
No início deste mês, a Dra. Bárbara Magalhães esteve em Viena, na Áustria, para participar do congresso da European Academy of Dermatology and Venereology (EADV), uma das principais entidades europeias dedicadas à dermatologia.

Entre os temas abordados no evento, um dos destaques foi o uso da toxina botulínica para além da estética, com aplicações que vêm sendo estudadas como complemento no tratamento de diferentes condições. “A toxina botulínica não substitui os tratamentos convencionais. Ela é mais uma aliada, que pode ser associada a outros protocolos”, explica a dermatologista.
Confira algumas dessas possibilidades!
Tratamento da depressão
As expressões faciais refletem nossas emoções, mas essa relação também pode funcionar no sentido inverso: a forma como movimentamos os músculos do rosto pode influenciar o processamento das emoções pelo cérebro.

Como a toxina botulínica reduz temporariamente a atividade de determinados músculos faciais, pesquisadores investigam como esse efeito pode influenciar os mecanismos relacionados ao humor.
“Existe uma região do cérebro chamada amígdala, envolvida no processamento das emoções e na percepção de ameaças. Estudos de neuroimagem indicam que a aplicação da toxina botulínica em determinadas regiões da face pode reduzir a ativação dessa área”, explica a Dra. Bárbara.
Crescimento dos cabelos
A toxina botulínica também pode ser uma aliada no tratamento da alopecia androgenética, condição caracterizada pelo afinamento progressivo dos fios.
Uma das hipóteses para seu efeito envolve o relaxamento dos músculos do couro cabeludo, que poderia favorecer a circulação sanguínea local. “Esse processo pode contribuir para um maior aporte de sangue e nutrientes importantes para o crescimento capilar”, comenta a Dra. Bárbara. A toxina ainda pode influenciar mecanismos envolvidos no afinamento dos fios, minimizando esse processo.

Redução da vermelhidão da rosácea
A toxina botulínica também vem sendo estudada no controle de alguns sintomas da rosácea, especialmente a vermelhidão desencadeada por fatores como calor, bebidas alcoólicas e alimentos picantes.
“Além de ajudar a reduzir a vermelhidão, ela pode contribuir para aliviar sintomas como ardor e queimação, associados à hiper-reatividade neurovascular”, explica a dermatologista.
Na prática, a toxina atua reduzindo a liberação de determinados neurotransmissores e neuropeptídeos nas terminações nervosas, o que pode modular algumas das respostas envolvidas na vermelhidão e no desconforto cutâneo.
Embora os resultados iniciais sejam promissores, essa aplicação não substitui os tratamentos convencionais para a rosácea. Seu uso deve ser avaliado individualmente, considerando as características de cada paciente.



